janeiro 23, 2006

Jardim Botânico da Universidade de Lisboa

A porta 2, com acesso pela Rua da Alegria - entre a Praça da Alegria e o Príncipe Real - dá acesso à zona sul do jardim, por cima do Parque Mayer.
A entrada principal faz-se pela Rua da Escola politécnica, 54/58.

Sugiro, como possível ponto de partida para conhecer a vida do Jardim, uma visita aos seus ambientes, ao Banco de Sementes e às Exposições.

Em 1859, o Conselho da Escola Politécnica - que mais tarde daria lugar à Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa - deliberou sobre a compra de terra vegetal no «sítio das Amoreiras», com destino ao futuro Jardim da Politécnica.
Iniciava-se então a preparação das plantações e sementeiras do plano superior do jardim, que só em 1873 - pela mão do Conde de Ficalho - seria impulsionada de modo decisivo.

Em 21 de Dezembro de 1877, o então Director interino da Escola, Andrade Corvo, afirmava:
«O novo jardim levantou-se como por encanto, e hoje mais de dez mil plantas florescem onde não há ainda quatro annos não vegetava um arbusto».


A organização do jardim botânico foi iniciada no plano superior, na imediata vizinhança do edifício da Escola. Foi resolvido que aqui ficassem representadas as principais famílias de Dicotiledóneas e algumas Gimnospérmicas.

As Monocotiledóneas foram colocadas na parte inferior do jardim, que constituía uma espécie de quinta, cuja exploração facultava à Junta Administrativa da Politécnica rendimentos de vulto.
Havia olival, vinha, pomar e terreno para cultivo de cevada, milho, fava e batata. A pouco e pouco, esta exploração agrícola foi dando lugar ao que presentemente constitui um arboreto de muito interesse sob vários aspectos.

A escolha das plantas foi justificada pelo Conde de Ficalho nos seguintes termos:
«A ordem adoptada foi a do Prodromus de De Candolle, não porque esta classificação seja scientíficamente preferível a todas as outras, mas porque é seguida no único Species completo que abrange todas as Dicotiledóneas, e por isso a mais geralmente adoptada».

Durante a década seguinte, a vida do Jardim Botânico foi afectada por via da abertura do Rossio, com uma intersecção na parte inferior, próxima do actual Parque Mayer.
Pelo meio houve várias tentativas malogradas de ligar o jardim à Avenida da Liberdade, desde a construção de um passeio até a uma projectada avenida que ligaria a Avenida da Liberdade à Rua da Escola Politécnica, passando por um ascensor...

Todos os projectos apresentados até final do século fracassaram.


A primeira construção empreendida no jardim foi a de uma pequena estufa de madeira, destinada provisoriamente à multiplicação e abrigo de plantas que exigem condições especiais de temperatura.

Situava-se no plano superior, junto ao canto noroeste, e deu lugar muito mais tarde a uma estufa de estrutura metálica, que serviu precariamente até 1962.

No verão de 1921, as palavras do Prof. Pereira Coutinho eram as seguintes:
«É de advertir que o nosso Jardim Botânico goza de bem merecida consideração entre os estabelecimentos similares estrangeiros, que é muito valiosa a colecção das suas plantas, e que seria para lastimar a sua decadência ou mesmo perda».

Um jardim com estas características requer permanentes cuidados com a sua conservação.
Por via da humidade, os materiais que compõem a estrutura da estufa degradam-se com relativa facilidade. A falta de verbas sempre foi uma constante, neste capítulo.



1 Comments:

At 1:29 da manhã, Blogger Mendo Ramires said...

Um oásis mágico no coração da capital.

 

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